PRP — Plasma Rico em Plaquetas
Tratamento regenerativo autólogo que utiliza as próprias plaquetas do paciente, concentradas a partir de uma coleta de sangue, para estimular o reparo de tendões e articulações lesionadas.
Agendar avaliação pelo WhatsAppO que é o PRP?
O PRP (Plasma Rico em Plaquetas) é um volume de plasma autólogo — ou seja, obtido do próprio sangue do paciente — com concentração de plaquetas acima dos níveis basais. É um dos chamados ortobiológicos: produtos biológicos utilizados para estimular o reparo, a regeneração ou a modulação dos tecidos do sistema musculoesquelético.
As plaquetas concentradas liberam fatores de crescimento contidos em seus grânulos alfa — como PDGF, TGF-β, VEGF e EGF — que estimulam de forma vigorosa a angiogênese (formação de novos vasos), a proliferação celular e a síntese de matriz extracelular no tecido lesionado, acelerando o processo natural de cicatrização.
PRP vs. PRF: qual a diferença?
Existem duas gerações de concentrados plaquetários, com métodos de obtenção e comportamento biológico distintos. Não existe “um só” PRP — a variabilidade dos resultados clínicos depende diretamente da técnica utilizada.
PRP — 1ª geração
Coletado com adição de anticoagulante (citrato de sódio) para evitar a coagulação no tubo. Processado por centrifugação, resultando em um concentrado líquido que promove liberação rápida e aguda dos fatores de crescimento no local aplicado.
PRF — 2ª geração
Coletado em tubo seco, sem anticoagulante, permitindo que a cascata de coagulação ocorra naturalmente. Centrifugado em baixa velocidade, forma uma matriz 3D de fibrina que aprisiona plaquetas e leucócitos, garantindo liberação lenta e contínua dos fatores de crescimento por até 14 dias.
Nem todo PRP é igual: a importância da classificação
Três variáveis determinam o perfil biológico e o efeito clínico do produto final: a concentração de plaquetas, a presença ou ausência de leucócitos e o método de ativação (cloreto de cálcio ou trombina, por exemplo). Saber o que o kit de centrifugação está entregando é essencial para indicar o produto certo para cada tecido.
Rico em leucócitos (LR-PRP / L-PRF)
Perfil pró-inflamatório — estimula resposta cicatricial aguda em tecidos cronicamente lesados.
Indicação: tendinopatias crônicas extra-articulares.
Pobre em leucócitos (LP-PRP / P-PRF puro)
Perfil menos inflamatório — melhora a dor e a função, reduzindo sinovite e catabolismo da cartilagem.
Indicação: tecidos intra-articulares (cartilagem, sinóvia).
Indicações com Boa Evidência Científica
Epicondilite lateral (cotovelo de tenista)
Apresenta excelente nível de evidência (Nível I) e mostra-se superior ao corticoide no acompanhamento a longo prazo.
Tendinopatia patelar
Resultados clínicos consistentes, especialmente em casos refratários ao tratamento conservador padrão.
Fascite plantar
Eficácia clínica comparável ou superior à infiltração com corticoide, com a vantagem de menor risco de ruptura tecidual.
Artrose de joelho (graus leves a moderados)
Melhores resultados em osteoartrose Kellgren-Lawrence graus I a III. Age na condroproteção indireta e na modulação do ambiente inflamatório sinovial crônico, com melhores desfechos em maiores concentrações de plaquetas.
Onde a Evidência Ainda é Limitada
A transparência sobre os limites da evidência científica é parte de uma indicação responsável. Em algumas situações, o benefício do PRP ainda não está bem estabelecido:
Lesões musculares agudas
Resultados ainda conflitantes na literatura sobre a real aceleração do retorno ao esporte.
Tendão de Aquiles
Evidências limitadas e não conclusivas para suporte no reparo cirúrgico de rupturas agudas — dados mais consistentes existem apenas para lesões crônicas.
Artrose grave (Kellgren-Lawrence IV)
O benefício terapêutico é paliativo e de curta duração; não altera o curso clínico da doença.
Como é Realizado o Procedimento?
Avaliação clínica
Consulta com a Dra. Verônica para confirmar a indicação, revisar exames e contraindicações, e definir o protocolo (PRP ou PRF, rico ou pobre em leucócitos) mais adequado ao tecido-alvo.
Coleta de sangue
Coleta de um volume adequado de sangue periférico do próprio paciente, em tubos estéreis apropriados ao protocolo escolhido.
Centrifugação
O sangue é processado em centrífuga, com protocolo de rotação única (single spin) ou dupla (double spin), separando e concentrando a fração plaquetária.
Aplicação guiada por ultrassom
A infiltração cega apresenta taxas inaceitáveis de erro posicional, o que reduz drasticamente a eficácia da terapia. Por isso, a aplicação é preferencialmente guiada por ultrassonografia à beira-leito, garantindo o depósito milimétrico do produto exatamente no alvo — como o foco de uma tendinose.
O “Preparo do Solo”: por que o preparo do paciente importa
Na medicina regenerativa, a resposta ao tratamento é o resultado da combinação entre a competência biológica do paciente e o produto aplicado. O procedimento fornece o estímulo, mas é o organismo que determina a intensidade da resposta regenerativa.
Por isso, antes da infiltração, a Dra. Verônica pode solicitar uma avaliação metabólica (glicemia, perfil lipídico, função hepática e renal, função tireoidiana, marcadores inflamatórios e vitaminas) e orientar sobre sono, atividade física e controle de comorbidades — fatores que, quando otimizados, potencializam a resposta ao PRP. Eventuais suplementações são sempre individualizadas e prescritas conforme a avaliação clínica e laboratorial de cada paciente.
Cuidados Após o Procedimento
Contraindicações
Absolutas
- ×Disfunção plaquetária severa documentada
- ×Trombocitopenia grave (< 150 mil plaquetas)
- ×Infecção ativa no local planejado para a aplicação
- ×Neoplasias ativas ou doenças autoimunes sistêmicas descompensadas
Relativas
- !Uso sistêmico de medicamentos anticoagulantes
- !Anemia severa recente
- !Tratamento de artrose em pacientes com IMC > 35
Aspectos Regulatórios: o que o CFM aprovou
O uso do PRP no Brasil segue diretrizes éticas, científicas e legais do Conselho Federal de Medicina (CFM) e normas técnicas da ANVISA, com base na segurança, na evidência científica e no melhor interesse do paciente.
Aprovado pelo CFM
- Osteoartrite de joelho — graus leves a moderados
- Epicondilite lateral — tendinopatias crônicas refratárias
- Discopatia lombar — abordagem intervencionista complementar
- Reparo meniscal — uso adjuvante na cicatrização do tecido fibrocartilaginoso
Não permitido
- Fins estéticos — totalmente vedada a aplicação dermatológica ou capilar
- Associação com ácido hialurônico, células-tronco, BMAC ou gordura microfragmentada
- Uso de material alogênico — o produto deve ser estritamente autólogo, do próprio paciente
Referências: Resolução CFM nº 2.464/2026 e Nota Técnica nº 29/2024/SEI/GSTCO/GGBIO/DIRE2/ANVISA. Os estabelecimentos que produzem ou utilizam PRP devem possuir infraestrutura adequada, profissionais capacitados, protocolos padronizados e sistemas de rastreabilidade, além de manter prontuário detalhado e Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) específico.
PRP não substitui — soma: outros ortobiológicos
O PRP faz parte de uma família maior de ortobiológicos, que também inclui o PRF, os derivados do aspirado de medula óssea (BMA e BMAC) e os derivados do tecido adiposo. A escolha do produto ideal não deve ser baseada em “qual é melhor”, mas sim na indicação, no tecido-alvo, na necessidade de suporte estrutural (scaffold), no volume desejado e no perfil de cada paciente. Em consulta, a Dra. Verônica avalia qual estratégia regenerativa é a mais adequada para o seu caso.
Perguntas Frequentes
PRP e PRF são a mesma coisa?
Não. O PRP é obtido com anticoagulante e centrifugação, gerando um concentrado líquido de liberação rápida. O PRF é coletado sem anticoagulante, forma uma matriz de fibrina e libera os fatores de crescimento de forma lenta e contínua por até 14 dias.
O procedimento é doloroso?
O desconforto é semelhante a uma coleta de sangue seguida de uma infiltração. É comum haver piora da dor no local nas primeiras 48 horas — um efeito inflamatório agudo esperado — antes da melhora progressiva.
Quantas sessões são necessárias?
Para tendinopatias, geralmente 1 a 2 sessões são suficientes. Para artrose, os protocolos mais comuns envolvem de 1 a 3 aplicações, com intervalo de 7 a 21 dias entre elas.
Quando vou sentir melhora?
Varia conforme o tecido tratado e a gravidade do quadro. Como o PRP estimula um processo biológico de reparo, a melhora costuma ser progressiva ao longo de semanas, e não imediata.
O PRP cura a artrose ou a tendinopatia?
Não. O PRP é um tratamento que modula o ambiente inflamatório e estimula o reparo tecidual, aliviando a dor e melhorando a função, mas não reverte doenças degenerativas já estabelecidas.
Posso usar anti-inflamatório após a aplicação?
Não. O uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) é contraindicado por 7 a 14 dias após o procedimento, pois eles bloqueiam a cascata plaquetária que é essencial ao efeito terapêutico do PRP. Analgésicos simples, como paracetamol ou dipirona, são permitidos.
O plano de saúde cobre o PRP?
A cobertura varia conforme a operadora e a indicação clínica. É necessário verificar os critérios de cobertura junto ao seu convênio; podemos auxiliar com a documentação necessária.
Quer saber se o PRP é indicado para você?
Agende uma avaliação com a Dra. Verônica. Ela analisará seu quadro clínico e seus exames para indicar o protocolo regenerativo mais adequado ao seu caso.